terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Tem sido assim. Enquanto o mundo se regozija pelo espírito natalino e pelas renovações do ano novo, eu me enclausuro.

Me afoguei em mim sem perspectiva alguma de voltar a superfície. Alguém me salvou. Escuto tua voz macia e firme gritar o meu nome, meu corpo treme e sou obrigada a escutar. O coração pula, os olhos umidecem e vou. Feliz e mulher, vou atender ao teu chamado.

E assim, por momentos breves, respiro, e saio de mim. Conduzida por tuas mãos que se confundem com as minhas, a respiração trava, os músculos se contraem e aí caio no mar imenso da languidez de ser tua. E enfim, respiro.

Esses momentos que grudam na memória feito tatuagem e alimentam meu vício. Amar-te. Quando eles acabam, me vejo afundando em mim novamente, e ao longe escuto a chuva incessante tamborilar no vidro da janela do quarto.

Enclausurada, me liberto. Voo para um mundo onde não existam cobranças, dúvidas e energias negativas. Voo ao teu encontro, leve. Sem o mundo nos ombros.

E enquanto isso não acontece, aguardo. Aqui, afogada em meus devaneios que tu tragas os dias de sol para essa terra cinzenta e concreta em que me encontro.

3 comentários:

Raio disse...

Nossa, que coisa mais profunda.
A pessoa que merece estas palavras sabe da existência delas?

Ronan Cardoso disse...

Que lindo Uila. Este processo vai tornar-te ainda mais madura e sábia, pois que toda dor vinda de um desejo tão sublime só pode nos elevar. E que talento pra escrever, cara! Parabéns pelo Blog.

Rosa Amarela disse...

Adorei o texto. Igualmente me enclausuro; contudo, fico pensando sobre o que comemoramos no natal, realmente: o natal é sinônimo de quê? Enquanto alguns comemoram, outros sofrem por não ter o que comemorar. Assim que natal é esse que comemoramos que, dias após, explodimos milhôes de reais em fogos de artifícios para comemorar a chegada de um novo ano, de um novo tempo, mas esse novo tempo não acontece dentro de nós, porque ignoramos aqueles que mais necessitam de nossa atenção. Obrigada pelo texto... Lindo... Aproveitei para desabafar uma coisa que sinto natal após natal.